terça-feira, 11 de setembro de 2012

Do crescimento agrícola ao desenvolvimento rural

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O projeto europeu é uma resposta a um intricado e duplo problema. À pressão exercida por muitos grupos e organizações civis a favor de uma agropecuária mais ecológica e sadia, soma-se evidentemente a perspectiva de breve ingresso de 10 novos associados à União. Se os subsídios continuarem vinculados à produção, os custos dessa integração dos novos sócios serão elevadíssimos. Provavelmente inaceitáveis para os principais contribuintes, como é particularmente o caso dos alemães. Todavia, seria engano imaginar que a mesma tendência –  de transferir recursos de velhos programas setoriais produtivistas a novos programas de promoção do desenvolvimento territorial – não esteja ocorrendo também na América do Norte. Infelizmente, a tempestade de críticas feitas à última lei agrícola americana acabou por obscurecer a significativa criação de novas instituições para o desenvolvimento rural.


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Em termos de pura racionalidade econômica, a desmontagem do padrão protetor de política agrícola dos países mais desenvolvidos poderia ter ocorrido há décadas. Entretanto, a inevitável inércia institucional, ajudada pela relativa fraqueza dos grupos de pressão contrários aos chamados “lobbies agrícolas”, fez com que esse desenlace político


fosse “adiado” para o começo do século 21. Esse contexto histórico sugere a hipótese de
que será intensificada nos próximos dez anos a transição das políticas de proteção aos
agricultores para políticas de promoção do desenvolvimento rural nas quais os incentivos
econômicos à salubridade alimentar e à conservação ambiental terão cada vez mais
preponderância sobre os subsídios à produção e às exportações. Como conseqüência,
ficará cada vez mais viável a articulação de um amplo movimento internacional contra o
protecionismo, no qual o Brasil certamente estará na linha de frente, juntamente com
alguns de seus associados do combalido Mercosul e da indecifrável Aladi.


Este fragmento faz parte do artigo de José Eli da Veiga, discutindo novas possibilidades para a agropecuária.
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Esses fragmentos fazem parte do artigo "Do crescimento agrícola ao desenvolvimento Rural" in: Desenvolvimento em Debate (vol. II), org. Ana Célia Castro, Rio de Janeiro: Ed. Mauad/BNDES, 2002, pp. 383-409.
José Eli da Veiga discute as tendências para tornar o financiamento ao setor agrícola menos voltado para a superprodução do que para conservação ambiental. Discorre também sobre a possibilidade desse movimento ganhar fôlego para combater o protecionismo agrícola. Se confirmada, essa mudança de paradigma poderá ser muito importante para garantir maior sustentabilidade nas atividades agropecuárias.

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