domingo, 16 de setembro de 2012

Relatórios científicos são confiáveis?



veja essa notícia veiculada na página da Discovery Brasil:

Energia eólica poderia suprir facilmente toda a demanda da humanidade por eletricidade





Mais uma vez, um relatório nos mostra que a energia renovável poderia ser muito mais bem aproveitada do é que hoje. Cientistas publicaram na Nature Climate Change que ventos em áreas planas têm potencial de produzir 400 terawatts de energia, e até 1800 terawatts em áreas de altitude elevada com muito vento. O problema é que, hoje em dia, a produção de energia eólica se restringe a apenas 18 terawatts.

De acordo com o relatório apresentado, as usinas eólicas têm potencial para gerar 22 vezes mais energia do que a produzida na atualidade, 100 vezes mais, se desenvolvermos a tecnologia para captar ventos em grandes altitudes.

O autor do relatório, Ken Caldeira, toca em uma ferida conhecida no Science Daily: “Analisando esses dados, é evidente que são fatores econômicos, tecnológicos e políticos que ditam o aumento do uso de energia eólica no mundo, muito mais que limitações geofísicas”.


Tudo certo, exceto pela falta de consideração de alguns fatores:
E quanto ao custo de instalação dessas usinas eólicas?
Como resolver o problema de reciclagem ou reutilização e até mesmo de eliminação das pás que movimentam as torres de vento?
E o espaço necessário para instalar tantas usinas? E a poluição visual proveniente delas?


Trocando em miudos, como diria o professor Armein Magmonian, será que esse relatório que deu origem a artigos veementes defendendo a energia eólica são mesmo confiáveis? Quais interesses estão por trás desses artigos científicos tão categóricos? O imenso valor comercial das energias "limpas"? 

Seja qual for a conclusão, a opinião pública deve ter senso crítico para separar o joio do trigo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

e a Rio + 20?

                                          Charge do Pelicano - Humor político


As maiores preocupações naquele momento em que ocorreu a ECO 92 foram o buraco na camada de ozônio e o aquecimento global. Tanto que a principal conquista do fórum foi a redução das emissões de gases poluentes. Vinte anos depois, as Nações Unidas organizaram a Rio+20, evento no qual os principais objetivos são avaliar as discussões e os resultados promovidos à partir da Eco 92 e propor novas diretrizes para o futuro.

Comparando o encontro atual com o evento de 1992, nota-se maior diversidade e complexidade dos temas abordados. Ocorreu ainda, grande participação de grupos oriundos da sociedade civil, em discussões paralelas e o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon demonstrou uma visão bastante otimista do Fórum, em documento oficial.

Entretanto, a expectativa geral para a atual conferência é que esta não terá condições de influenciar efetivamente nas decisões político-econômicas. Será, sobretudo, uma conferência para aconselhar e advertir acerca dos obstáculos para realização das propostas da ECO-92. O próprio país sede não tem apresentado grandes esforços e iniciativas eficazes para fomentar o desenvolvimento sustentável. Desde a década de 70 as lideranças políticas nacionais têm privilegiado muito o processo de desenvolvimento econômico, em detrimento da preservação ambiental. Além disso, existe um consenso de que tenha ocorrido um esvaziamento de propostas concretas para o desenvolvimento sustentável do planeta, devido à grande quantidade de temas propostos este ano.

A crise nos países desenvolvidos, os quais encontram-se muito mais preocupados com as questões econômicas internacionais tornou-se mais um obstáculo para o sucesso da Rio+20. Na ECO-92, estiveram presentes as principais lideranças mundiais, porém, no fórum atual havia muitos representantes secundários, os quais não têm poder para tomar decisões importantes. Entretanto, a possibilidade de colocar em relevo diversos temas fundamentais às causas ambientais e ao desenvolvimento sustentável é sempre positiva. Mas será que isto é o suficiente?


Texto: "A ECO 92 e a Rio+20"  elaborado para o Redefor/Unesp - Curso de Geografia - turma 10,  por Alexsandro Pereira
O texto reflete a opinião do grupo Safira à respeito das perspectivas e resoluções da  conferência ambiental Rio+20, comparada à Eco 92.

Do crescimento agrícola ao desenvolvimento rural

(...)

O projeto europeu é uma resposta a um intricado e duplo problema. À pressão exercida por muitos grupos e organizações civis a favor de uma agropecuária mais ecológica e sadia, soma-se evidentemente a perspectiva de breve ingresso de 10 novos associados à União. Se os subsídios continuarem vinculados à produção, os custos dessa integração dos novos sócios serão elevadíssimos. Provavelmente inaceitáveis para os principais contribuintes, como é particularmente o caso dos alemães. Todavia, seria engano imaginar que a mesma tendência –  de transferir recursos de velhos programas setoriais produtivistas a novos programas de promoção do desenvolvimento territorial – não esteja ocorrendo também na América do Norte. Infelizmente, a tempestade de críticas feitas à última lei agrícola americana acabou por obscurecer a significativa criação de novas instituições para o desenvolvimento rural.


(...)


Em termos de pura racionalidade econômica, a desmontagem do padrão protetor de política agrícola dos países mais desenvolvidos poderia ter ocorrido há décadas. Entretanto, a inevitável inércia institucional, ajudada pela relativa fraqueza dos grupos de pressão contrários aos chamados “lobbies agrícolas”, fez com que esse desenlace político


fosse “adiado” para o começo do século 21. Esse contexto histórico sugere a hipótese de
que será intensificada nos próximos dez anos a transição das políticas de proteção aos
agricultores para políticas de promoção do desenvolvimento rural nas quais os incentivos
econômicos à salubridade alimentar e à conservação ambiental terão cada vez mais
preponderância sobre os subsídios à produção e às exportações. Como conseqüência,
ficará cada vez mais viável a articulação de um amplo movimento internacional contra o
protecionismo, no qual o Brasil certamente estará na linha de frente, juntamente com
alguns de seus associados do combalido Mercosul e da indecifrável Aladi.


Este fragmento faz parte do artigo de José Eli da Veiga, discutindo novas possibilidades para a agropecuária.
(...)

Esses fragmentos fazem parte do artigo "Do crescimento agrícola ao desenvolvimento Rural" in: Desenvolvimento em Debate (vol. II), org. Ana Célia Castro, Rio de Janeiro: Ed. Mauad/BNDES, 2002, pp. 383-409.
José Eli da Veiga discute as tendências para tornar o financiamento ao setor agrícola menos voltado para a superprodução do que para conservação ambiental. Discorre também sobre a possibilidade desse movimento ganhar fôlego para combater o protecionismo agrícola. Se confirmada, essa mudança de paradigma poderá ser muito importante para garantir maior sustentabilidade nas atividades agropecuárias.

sábado, 8 de setembro de 2012

Tudo se resume aos negócios?


Esse ano ocorreu o Rio+20, para discutir os avanços das propostas da Rio 92 e do Protocolo de kyoto. Foi constatado que pouco se avançou nesse período para reduzir emissões de poluentes na atmosfera e frear o aquecimento do planeta. E mais, não houve consenso sobre novas resoluções. O peso político do congresso atual foi muito inferior ao encontro de 20 anos antes.

A temática ambiental perde força ante a crise econômica internacional, à qual se sobrepõe às iniciativas para o avanço de soluções para preservação do meio ambiente. O Código Florestal Brasileiro foi alterado para atender às demandas do agronegócio, somente por conta da pressão popular não se tornou uma autorização expressa para desmatar as florestas remanescentes.

Além desse quadro pouco alentador no que se refere às políticas públicas para o setor, as iniciativas em prol do meio ambiente têm sido colocadas em cheque. Um exemplo é o trabalho do democrata estadunidense Al Gore, o qual após o lançamento do premiado documentário “Uma Verdade Inconveniente”, tornou-se alvo de diversas críticas - algumas pertinentes. As propostas para criar sumidouros de CO² ou as vendas de Créditos de Carbono perderam fôlego e são fortemente criticadas por ambientalistas, que as consideram injustas e ineficazes.

Qual a possibilidade de conscientização e ação dos cidadãos comuns, quando a preservação da vida no planeta não é prioridade para os centros de decisões internacionais. Ou seja, quais as alternativas no plano das horizontalidades para responder a esse estado das coisas? Formação e informação: aprendizagem consistente para formação de cidadãos, muito mais do que consumidores acríticos e apáticos. O ensino de geografia tem muito para contribuir no sentido de promover a cidadania entre nossos alunos e possibilitar que tenham capacidade de mobilização pela vida e pela natureza.


Texto elaborado pelo grupo Safira, Alexsandro Pereira e Nubia M.G. Esteves com o objetivo de contextualizar o conteúdo do blog e dissertar sobre o tema Desenvolvimento Sustentável.

´os escravos da soja´






A reportagem da TV Folha, mostra a difícil rotina de motoristas de caminhão responsáveis pelo escoamento da produção de soja.

Mais um aspecto controverso relacionado ao agronegócio, tão enaltecido pelo senso comum e alguns setores da imprensa, mas que apresenta diversos aspectos nebulosos nos campos social e ambiental.

De onde vem a força do agronegócio?



Um ponto de vista sintético e bem humorado sobre o agronegócio brasileiro. De autoria da WWF o curta mostra através de ilustrações algumas das desvantagens do agronegócio  no aspecto socioambiental, sobretudo, que essa atividade econômica representa a preservação de uma estrutura social arcaica, mas com uma imagem moderna.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

E o Etanol?






A charge retrata a relação agrocombustível x pré-sal (combustíveis fósseis) no Brasil. Após a descoberta deste imenso reservatório de petróleo, o etanol já não tem o mesmo destaque nos planos do governo federal. A imagem é éngraçada e bastante ilustrativa de como a lucratividade ainda tem mais apelo do que as questões ambientais. Ainda que o biocombustível não represente uma excelente solução em termos de sustentabilidade. Imagem disponível no blog:
Quimica útil

O texto à seguir, relaciona o esfriamento dos interesses governamentais no biocombustível, devido às novas descobertas de petróleo no pré-sal.


'Farra'' do pré-sal ofusca pioneirismo no biocombustível

Especialistas alertam que após definição do marco regulatório, política energética deve ser balanceada

Concluída a definição do marco regulatório do pré-sal, o governo deve concentrar atenções na definição de uma política energética para balancear o uso dos combustíveis e sua inserção no mercado global de combustíveis. A opinião é de especialistas consultados pelo Estado, para quem a nova riqueza pode ajudar a difundir o etanol de cana-de-açúcar no mercado externo. Caso contrário, há risco de retrocesso no esforço feito nos últimos anos pela divulgar os biocombustíveis, que rendeu ao País imagem de pioneirismo no segmento.

"O Brasil, sempre orgulhoso do esforço para desenvolver energias renováveis e desmamar do óleo, vive um caso grave de febre do combustível fóssil", escreveu, no final de agosto, a agência Associated Press. Uma semana depois, um grupo de ativistas do Greenpeace invadiu a cerimônia de lançamento do novo marco regulatório do pré-sal com faixas questionando a produção das reservas.

"Há grande risco de irmos na contramão de tudo o que está acontecendo no mundo", concorda o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura. A alternativa, diz, é o estabelecimento de uma política energética que preserve, em primeiro lugar, o mercado interno para o etanol. Na sua opinião, notícias recentes sobre o uso de diesel em veículos leves, por exemplo, já sinalizam a tentação de ampliar o peso do petróleo na matriz energética.


(...)
Jornal o Estado de São Paulo

20 de setembro de 2009